Judas Iscariotes era natural, segundo a tradição, de Queriote, uma localidade da Judeia, o que o diferenciava da maioria dos outros apóstolos, que eram da Galileia. Ele foi chamado por Jesus para fazer parte do grupo íntimo dos doze discípulos, compartilhando momentos de ensinamento, milagres e convivência diária com o Mestre. Isso mostra que Judas, assim como os demais, teve acesso direto às palavras e ao amor de Jesus.
Dentro do grupo, Judas exercia a função de tesoureiro, sendo responsável pela bolsa comum que guardava os recursos usados para as necessidades do grupo e para ajudar os pobres. O Evangelho de João indica que ele costumava retirar dinheiro dessa bolsa para benefício próprio, revelando uma inclinação à desonestidade e ao apego material. Esse aspecto ajuda a compreender parte do conflito interior que marcou sua trajetória.
O momento mais marcante da vida de Judas foi sua decisão de trair Jesus, entregando-o às autoridades religiosas em troca de trinta moedas de prata. O sinal combinado para identificar Jesus foi um beijo, gesto que tornou a traição ainda mais dolorosa e simbólica. Esse ato é narrado nos quatro Evangelhos e marca o início direto dos acontecimentos que levaram à crucificação.
Após perceber a gravidade do que havia feito, Judas foi tomado por profundo remorso. Segundo o Evangelho de Mateus, ele tentou devolver as moedas aos sacerdotes e, consumido pela culpa, acabou tirando a própria vida. Esse desfecho trágico revela um homem dominado pelo desespero, incapaz de acolher o perdão e a misericórdia que Jesus oferecia, mesmo aos pecadores.
A figura de Judas Iscariotes carrega importantes lições espirituais. Sua história mostra que estar próximo de Jesus fisicamente não garante transformação interior se o coração não estiver aberto à mudança. Judas ouviu os ensinamentos, presenciou milagres, mas permitiu que a ambição, a frustração e o egoísmo falassem mais alto.
Ao mesmo tempo, sua trajetória convida à reflexão sobre arrependimento e misericórdia. Diferente de Pedro, que também negou Jesus, Judas não conseguiu confiar no perdão divino. Assim, sua vida nos alerta sobre o perigo de perder a esperança e nos lembra da importância de buscar a graça, a humildade e a conversão sincera.
